Prótese transformacional
Criação e fabricação de protótipos de superfícies de revestimento de próteses transformacionais relacionando arte e tecnologia.
• Profa. Dra. Monica Tavares, Pós-Doutora Juliana Henno, Prof. Dr. Chi Nan Pai
APRESENTAÇÃO
Há um número muito pequeno de opções de prótese de membro superior, que atende simultaneamente às demandas funcionais e estéticas, como forma de aumentar a autoestima do usuário e contribuir para sua inclusão na sociedade. Na “prótese transformacional”, mais especificamente na “prótese como escultura corporal” (Tavares, 2021)1, ocorre intrinsecamente a complementação dessas demandas. São peças artísticas tridimensionais, anexadas ao corpo e passíveis de serem esteticamente customizadas pelo receptor. Agem como meio de transformações física e psicológica de modo a fortalecer a autoconfiança do usuário.
(1) TAVARES, Monica. A representação tridimensional de objectiles enquanto -próteses transformacionais-. Datjournal Design Art and Technology, v. 6, p. 7-18, 2021.
ESTRATÉGIA CONCEITUAL
A partir da transdisciplinaridade entre arte-design, ciência e tecnologia, as próteses transformacionais ampliam a experiência do usuário e potencializam a maneira da pessoa se situar no mundo. Por meio da modularidade, da tendência não antropomórfica e do co-design, asseguram-se soluções que aliam funcionalidade e singularidade estética. As próteses convencionais buscam, em geral, mimetizar a aparência do membro ausente, mas nem sempre atendem às necessidades de expressão individual, autoestima e identidade de seus usuários. Este projeto propõe o desenvolvimento de próteses de membro superior, sejam elas de alto desempenho ou de baixo custo, produzidas por impressão 3D, customizáveis e/ou personalizáveis.
PROCESSO
Com base em digitalização tridimensional, design paramétrico e fabricação digital (processo aditivo - FDM e SLA), o processo de construção dessas próteses possibilita adaptação precisa à anatomia de cada usuário, ao mesmo tempo em que viabiliza soluções customizadas e/ou personalizadas. Essas tecnologias permitem, respectivamente: uma maior adequação do dispositivo ao corpo do usuário; a exploração dinâmica de diferentes formas por meio da variação de parâmetros; e a incorporação de demandas estéticas, pela definição de cores, detalhes e materiais específicos.
CONCLUSÃO
O uso das próteses transformacionais não só contribui para abrandar limitações físicas do usuário, mas firma-se como meio de transformação interior, minimizando o conceito tradicional e estigmatizado de deficiência. Cada prótese torna-se, assim, uma extensão simbólica do corpo, reafirmando o protagonismo e a subjetividade do usuário. A confluência entre funcional e estético potencializa a criação de produtos assistivos, tornando-os mais adaptados e atraentes para as pessoas, acarretando, assim, a mudança de paradigma na criação de próteses. As possibilidades de customização e/ou personalização, promovidas pelo agenciamento do usuário, refletem no aumento de sua autoestima, impulsionando uma relação de pertencimento entre ele e produto. As próteses transformacionais promovem uma maior aceitação social dos indivíduos com deficiência em seus contextos socioculturais, ampliando, consequentemente, sua autoconfiança.


